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Sensibilização para o corta-mato. Uma história adaptada para alunos e, … porque não para professores?

Posted by J L em Dezembro 13, 2009

Corta-mato escolar. Uma história para alunos e, … porque não para professores?

Patrícia disse a um amigo. Vou fazer-te uma proposta. Preciso que me ajudes amanhã no corta-mato da escola. Jorge ficou surpreendido e abanou a cabeça.

Eu quero ajudar-te, mas não sei o que posso fazer de hoje para amanhã.

Patrícia afirmou que relativamente ao seu treino era capaz de fazer corridas curtas durante a semana, nas aulas de Educação Física, mas não estava confiante de que era capaz de terminar a corrida de corta-mato.

Nunca participei numa corrida com tantas pessoas. Participei apenas no corta-mato da turma, portanto a minha competência é baixa. Não sei como vou reagir e estou com medo. Acho que o meu empenho é baixo. E se não conseguir terminar?

– Vá lá, Patrícia – encorajou Jorge. Consegues caminhar o dobro ou o triplo da distância do corta mato.

– E se chegar em último? Vou ficar apavorada – Patrícia escondeu a cara com as mãos como se estivesse a tentar afastar a imagem dela a cair para último lugar.

Jorge riu-se.

És mesmo uma aprendiza desiludida. Como te posso ajudar?

– Tenho uma ideia – o sorriso de Patrícia deixou Jorge a pensar no que se tinha metido.

O meu pedido é: corre comigo. Já participaste em dezenas de provas e sabes como são. Tens o poder do conhecimento. Gostava que fosses o meu parceiro da corrida e o meu treinador. Preciso de apoio e de orientação.

– Estás a brincar? Eu não treinei – queixou-se Jorge.

Lenta como eu sou, não precisas de treino para me acompanhares! – disse Patrícia.

Podemos falar disso no caminho para casa.

Ao nascer do sol na manhã seguinte, Jorge vestiu o equipamento de corrida, fez uns exercícios de aquecimento e saiu para ir buscar a sua amiga Patrícia.

Patrícia irradiava alegria quando viu Jorge com o equipamento de corrida.

– Eu sabia que aceitarias – disse ela enquanto lhe dava uma barra de cereais e uma bebida energética. – pensei que precisavas disto – acrescentou com alguma presunção.

– Percebi que não podia dizer que não. Pediste ajuda e para isso é preciso força. É difícil dizer que não a alguém que sabe o que precisa.

Jorge, lembras-te quando comecei a correr pela primeira vez? Comprei uns calções e uns tops giros, uns ténis e umas meias. Tinha tudo. Estava bastante orgulhosa de mim mesma.

Foi nas aulas de Educação Física que comecei a correr, corri três minutos e comecei a sentir os músculos da coxa a contrair. Tentei controlar a respiração, mas não conseguia respirar. Deu-me aquela pontada que nunca mais passava.

Jorge riu-se.

– Lembro-me da tua desculpa. Disseste: “Devo ter músculos que se contraem rapidamente. Não foram feitos para corridas de longa distância. E, além disso, correr não é muito bom para os meus joelhos.”

Boas desculpas, continuou Jorge, sorrindo J.

– Eu não me queixei dessa maneira! – Patrícia esticou-se e empurrou suavemente Jorge. – De qualquer modo, eu queria desistir. Lembras-te do que me disseste?

Jorge encolheu os ombros.

– Relembra-me.

Explicaste-me que ao correr se exercitam músculos diferentes dos que eu estava habituada a exercitar. Disseste-me que seria necessário um esforço mais do que apenas comprar umas sapatilhas novas.

– Acertei em cheio – disse Jorge, com orgulho.

– O que é interessante é que eu costumava ser boa sprinter e nunca pensei que conseguiria correr mais do que 100 metros. Era uma limitação pressuposta.

– Não eram os músculos que se contraíam rapidamente? – disse Jorge.

Patrícia parecia um pouco defensiva quando respondeu:

– Talvez eu tivesse músculos que se contraíam rapidamente, contudo, isso não significa que eu não conseguisse correr alguns quilómetros.

– Então do que precisavas? – perguntou Jorge.

Precisava de aprender a correr de maneira diferente. Precisava de alguém que me mostrasse como. Alguém para observar, monitorizar e avaliar a minha corrida, que também me desse informações sobre o meu desempenho.

Jorge estava impressionado.

– Agora lembro-me. Foste falar com o teu professor de educação física e ele ajudou-te a criar um programa de treino.

Patrícia explicou – ele ajudou-me a planear uma estratégia que incluía ir aos treino do grupo de atletismo da escola, deu-me instruções sobre a minha respiração e técnica de corrida, fez-me assinar uma revista de atletismo e tu responsabilizaste-me pelo cumprimento do meu plano de treino.

Por agora vamos concentrar-nos no objectivo de hoje.

Chegaram à escola secundária, onde dezenas de alunos estavam reunidos para a corrida.

– Quanto tempo é que achas que precisas para terminar a teu corta-mato?

Patrícia riu-se.

– O meu objectivo é concluir a corrida de corta-mato.

É justo. Se acabar a corrida é suficientemente motivador, é nisso que nos vamos concentrar. Mas acho que devias estabelecer uma fasquia – disse Jorge.

Entre os alunos da escola que esperavam pela hora da prova, estavam também algumas jovens do 2º ciclo, da Escola Básica ao lado, os quais tinham sido convidados para participar no corta-mato.

Chamando a atenção para uma pequena adolescente, franzina da Escola Básica, Jorge afirmou: – Acho que deves tentar derrotá-la.

Patrícia estava atenta e não mordeu o isco.

– Isso não é um objectivo inteligente! Não tenho controlo sobre a velocidade a que aquela rapariga corre, não a conheço. Com a minha sorte, ela tem o título nacional feminino de atletismo.

– Não deverias estabelecer alguma fasquia? – inquiriu Jorge seriamente.

– Está bem, que tal esta: o meu objectivo é não ser a última a cortar a meta. Isto significa que se eu não conseguir continuar, tens de me levar ao colo!

Dirigiram-se à mesa de inscrições, levantaram os dorsais com o seu número e prenderam-nos às t-shirts.

Havia música no ar. O ambiente era eléctrico e Jorge sentia-se cheio de energia. Era divertido fazer parte do evento desportivo.

A hora da prova, rapidamente, se aproximou e os participantes juntaram-se na linha de partida. Patrícia e Jorge estavam no meio da multidão.

– Aos seus lugares – gritou o juiz de partida através do sistema sonoro. Jorge não tinha reagido a tempo de parar Patrícia.

Soou o tiro da pistola de partida. E partiram.

A euforia que sentia no início de uma corrida empolgava Jorge. Ele até conseguia sentir o chão a tremar com o pulsar de tantos pés atrás dele. Enquanto acelerava para apanhar Patrícia, conseguia ouvir a respiração dos corredores mais próximos. Em segundos ultrapassaram-no.

– Incrível! – gritou Patrícia. Porque é que as pessoas estão a correr tão depressa no início da corrida?

Nunca conseguirei chegar ao fim se tentar acompanhá-las – não estava a ser capaz de escolher o ritmo certo para correr. – Já estou pronta para desistir! O que devo fazer, treinador?

Jorge respondeu: “Tenta apenas chegar à caixa de saltos”.

Ela sorriu por entre a dor.

– Está bem, chego à caixa de saltos, e depois? – perguntou ela respirando esforçadamente.

Depois, lembra-te do teu objectivo.

– Ah, sim. Chegar ao fim.

– O que aconteceu no início da corrida? – a pergunta de Jorge era mais do que uma interrogação. Ele esperava que, desse modo, ela chegasse a uma conclusão.

– Fiquei tão entusiasmada que decidi avançar! Pensei que pudesse ganhar entre a minha faixa etária.

Jorge achou a inocência de Patrícia encantadora.

– Isso seria um grande feito, não seria? Ganhares entre a tua faixa etária no teu primeiro corta-mato, depois de treinares apenas durante dois meses, em algumas aulas de Educação Física – ele tentou não parecer muito crítico.

Patrícia percebeu.

– Oh, que vergonha – disse ela, por entre a respiração. Agi como se tivesse muita experiência, começando na frente, a pensar que podia ultrapassar ou pelo menos acompanhar os melhores. Sinto-me uma principiante desiludida.

Jorge respondeu. – Lembra-te que o difícil é começar.

Depressa passaram a caixa de areia.

– Chegamos à caixa e agora? – questionou Patrícia ofegante.

– Continua um passo de cada vez – respondeu Jorge.

Durante o resto da corrida, Patrícia pediu a Jorge a orientação e o apoio possível: Tenta só chegar ao pavilhão. Muito bem. Agora tenta alcançar aquelas duas colegas, não parecem muito rápidas. Assim é que é, Patrícia! Ela encorajou-se a si própria em voz alta para que Jorge pudesse acrescentar alguma coisa se achasse necessário.

Se estiver a respirar com dificuldade para falar, significa que estou a correr a um ritmo demasiado rápido e que devo abrandar um pouco?

Por vezes, Jorge dava-lhe respostas directas; outras vezes pedia-lhe para experimentar e para depois informar do que ela achava que era melhor.

Jorge corria com facilidade, tal como parecia acontecer com Patrícia, mas ela continuava ofegante.

Por fim, já conseguiam ver a meta, no campo de jogos.

– Ok, treinador – conseguiu dizer, ofegante. – Outros corredores dizem que é aqui que ganham uma carga de adrenalina, um segundo fôlego, e fazem um sprint até à meta. Não tenho esperanças nenhumas. Acho que nunca tive um primeiro fôlego. As minhas pernas parecem chumbo. Os meus pulmões doem. Espero conseguir acabar.

Jorge estava realmente preocupado. Não queria ter de a levar ao colo. Foi então que ouviram vozes familiares a aplaudi-los no campo de jogos, perto da meta. Olharam de relance e viram um grupo de amigos mais velhos a gritarem e a berrarem que nem loucos.

– Uau! – disse Patrícia. – Não sabia que estariam todos aqui – ela sorriu apesar da dor. Acho que estão chocados por ver que ainda estou de pé!

– E que não és a última – acrescentou Jorge, piscando o olho.

Com isto, o rosto e o corpo de Patrícia transformaram-se. Ganhou um segundo fôlego.

– Vamos! Gritou ela, acenando para os amigos quando recomeçou a correr.

Quando chegaram, Patrícia abraçou Jorge alegremente.

– Obrigada, obriga, obrigada! – disse ela entusiasticamente. Ele abraçou-a e ao mesmo tempo continuou a andar com medo que as pernas dela começassem a ficar com cãibras.

– Olha! – observou Patrícia apontando para a linha de chagada. – Ainda estão a chegar atletas!

Ainda havia corredores a cortar a meta, mas muitos mais tinham chegado antes deles. Não tinham realizado um tempo magnífico, não tinham realizado uma corrida particularmente rápida.

Jorge, nesse momento teve uma revelação. Ele sabia que Patrícia era uma pessoa muito competitiva, porém, curiosamente, saber que dezenas de corredores tinham chegado à frente dela não a estava a incomodar.

Aliás, ela estava radiante por ter terminado a corrida, por ter alcançado o objectivo dela. Não interessava o que os outros tinham feito.

Pouco depois Jorge e Patrícia estavam rodeados de amigos. Passaram a hora seguinte a levantar os seus prémios de participação e a apreciar as coisas boas que advêm do facto de terminar a corrida. Quando se dirigiu para o carro do pai, Patrícia abraçou cada um dos seus amigos.

– Todos vocês deram-me o apoio que eu precisava, quando mais precisei – disse ela. Obrigado por nos relembrarem que existem tantas formas de conseguir o que precisamos, e os amigos são um bom campo por onde começar.

No dia seguinte o pai de Patrícia não a foi buscar à escola de carro. Ela e os seus amigos foram a pé para casa. Quando passaram na Escola Básica, que fica ao lado, estava uma rapariga franzina à porta.

João, um dos colegas de Patrícia perguntou-lhe: Sabes quem é aquela rapariga?

Patrícia hesitou e respondeu: não sei quem ela é, mas vi-a ontem no corta-mato da escola.

João continuou: foi ela que ganhou a corrida em que participaste.

Parabéns pela corrida de ontem na minha escola. – Disse Patrícia sorrindo para a vencedora.

Questão para os alunos

Qual é a moral da história?

Entre outras, pode ser a seguinte:

Existe magia em diagnosticar o seu nível de desenvolvimento e em conseguir a orientação e o apoio de que precisa para alcançar o seu objectivo.

Sem conseguir o que precisava, Patrícia teria desistido após poucos metros de corrida.

História adaptada. Editora Pergaminho SA

Uma resposta to “Sensibilização para o corta-mato. Uma história adaptada para alunos e, … porque não para professores?”

  1. Joao Andre said

    de modo a poder ajudar quem queira tentar uma vida la fora no ramo de ensino criei o seguinte blogue

    http://www.daraulaseminglaterra.blogspot.com/

    seria possivel coloca-lo na sua
    lista de Blogues favoritos?

    De bom grado retribuirei o favor.
    Para tal basta mandar um mail para
    jacho8@gmail.com a confirmar

    Com os meus cumprimentos

    Joao Andre Costa

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