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coisas de professor – educação e entretenimento

Archive for 14 de Março, 2008

tomada de posição – avaliação do desempenho

Posted by J L em Março 14, 2008

Os professores do Departamento de Línguas e Literaturas, da Escola xxxxxx,

na sua reunião ordinária de hoje, 5 deMarço, abordaram,

inevitavelmente, o modelo de avaliação que nos querem impor.

Após demorada, participada e viva discussão, os
respectivos professores decidiram redigir e aprovar o documento que,
de seguida, transcrevo na íntegra:

. Atendendo a que, sem fundamento válido, se fracturou a carreira
docente em duas: professores titulares e não titulares;

. Atendendo a que essa fractura se operou com base num processo
arbitrário, gerando injustiças inqualificáveis;

.Atendendo a que os parâmetros desse concurso se circunscreveram,
aleatória e arbitrariamente, aos últimos sete anos, deitando
insanemente para o caixote do lixo carreiras e dedicações de vidas
inteiras entregues à profissão;

. Atendendo a que, por via de tão injusto concurso, não se pode
admitir, sem ofensa para todos, que seguiram em frente só os melhores,
e que ficaram para trás os que eram piores;

. Atendendo a que esse concurso terá repercussões na aplicação do
assim chamado modelo de avaliação, já que, em princípio, quem por essa
via acedeu a titular será passível de ser nomeado coordenador e, logo,
avaliador;

. Atendendo a que, por essa via, pode muito bem acontecer que o
avaliador seja menos qualificado que o avaliado;

. Atendendo a que o modelo de avaliação é tecnicamente medíocre;

. Atendendo a que o modelo de avaliação é leviano nos prazos que impõe;

. Atendendo a que o modelo de avaliação contém critérios subjectivos;

. Atendendo a que há divergências jurídicas sérias relativas à
legitimidade deste modelo;

. Atendendo a que o Conselho Executivo e os Coordenadores de
Departamento foram democraticamente eleitos com base nas funções então
definidas para esses órgãos;

. Atendendo a que este processo, a continuar, terá que ser
desenvolvido pelos anunciados futuros Conselhos de Escola, Director
escolhido por esse Conselho, e pelos Coordenadores nomeados;

. Nós, professores do Departamento de Línguas, da Escola Secundária D.
Maria II, não reconhecemos legitimidade democrática a nenhum dos
órgãos da escola para darem continuidade a um processo que extravasa
as funções para as quais foram eleitos;

. Mais consideram que:

. Por uma questão de dignidade e de solidariedade
profissional, devem, esses órgãos, suspender, de imediato, toda e
qualquer iniciativa relacionada com a avaliação;

. Caso desejem e insistam na aplicação de tão arbitrário
modelo, devem assumir a quebra do vínculo democrático e de confiança
entre eles próprios e quem os elegeu, tirando daí as consequências
moralmente exigidas.

Notas:

1 – Dos 22 professores presentes, 21 votaram favoravelmente e 1 votou ccontra:

2 – Para além de darem conhecimento imediato deste documento aos
órgãos, ainda democráticos, da escola, os professores decidiram dá-lo
a conhecer a todos os colegas da escola;

3 – Decidiram também dar ao documento a maior divulgação pública
possível, e enviá-lo directamente para outras escolas e colegas de
outras escolas;

4 – Pede-se a todos os professores que nos ajudem na divulgação deste
documento, e que o tomem como incentivo e apoio para outras tomadas de
posição;

5 – Este documento ficou, obviamente, registado em acta, para que a
senhora ministra não continue a dizer que nas escolas está tudo calmo,
e que só se protesta na rua.

A M

fonte: recebido por email

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resposta ao circo de emídio rangel

Posted by J L em Março 14, 2008

Correio dos Leitores

Carta aberta a alguém que dá pelo nome de Emídio Rangel

Extraterrestre ou hooligan verbal?

Diz que é jornalista, mas (d)escreve por antecipação, o que rima com encomendação.
Ensinaram-me que acção gera reacção, o que rima agora com indignação.
Que agora convosco partilho.
Muito tempo faltava ainda para despontar a manhã; mais ainda faltaria certamente para o Correio da Manhã chegar às rotativas e ver a luz do dia. Mas ele, Emídio Rangel, na sua rubrica “Coisas do Circo”, já destilava veneno por antecipação. Os verbos liam-se, anacronicamente, no Pretérito Perfeito, ainda que pelas 9 horas da manhã, ainda que eu, e mais 100 000 como eu, continuássemos pela estrada fora. E esta foi a primeira das minhas indignações: ainda mal acordara, feita a primeira paragem numa estação de serviço para tomar um café, vislumbro por cima do ombro de alguém o apelativo título: “Hooligans em Lisboa”. Não resisti à leitura, e fiquei a saber que alguém me apelidava de hooligan, de todos o mais suave epíteto entre os vários que compunham a crónica, ainda eu estava em Aljustrel! A viagem para Lisboa ainda mal começara. Mais do que o café, a crónica revitalizou-me o ânimo e a força desta indignação que não me larga.
Como é que este senhor, mais um, se pode dar ao luxo de abrir a boca para opinar sobre educação em Portugal e dizer um chorrilho de asneiras, ao mesmo tempo que descarrega injúrias à classe docente em meia dúzia de linhas?
Não tem razão, e fala do que não sabe, quando diz que os professores actuais “trabalham pouco, ensinam menos, não aceitam avaliações”. Bem pelo contrário, a maioria trabalha muito para além do que é razoável, luta para ensinar em permanente confronto com a escola paralela que é o mundo exterior à própria escola (que este senhor ajudou a formar), e aceita ser avaliada, embora não assim, que é como quem diz, à pressa, com critérios pouco objectivos, duvidosos, fora do seu próprio controlo e, sobretudo, para descaradamente sustentar a redução das despesas públicas numa área em que ainda estão abaixo dos ditos valores “europeus”.
Volta a ser demagogo quando diz que no seu tempo, que não é muito diferente do meu, consideradas as nossas idades, os professores eram licenciados, tinham passado por “pedagógicas” (?), eram vocacionados… Má sorte a minha porque ainda antes do 25 de Abril tive um sargento da GNR que me deu Educação Física em jeito de recruta, entre outros professores (informador da PIDE_DGS) cujos talentos atravessavam áreas tão díspares – quanto incompatíveis no meu jovem sentido crítico – que iam da História à Organização Política do Estado (Novo). Enfim, privilégios do comentador, de que eu não desfrutei, apesar de frequentar um Liceu Nacional. E que ele, mesmo sem pedagógicas soube aproveitar para lá ir dando as suas aulas pelos liceus e universidades, como diz. Grande professor terá sido! quando hoje qualquer professor que chega ao sistema é, quase posso dizer, ainda que peque por exagero, mais bem formado do ponto vista pedagógico do que cientificamente (ou teoricamente). E quem fala hoje de licenciados, quando muitos são mestres ou doutores, mesmo ensinando no ensino básico?!!
Como diz e todos concordarão, “Portugal não pode continuar a pôr cá fora jovens analfabetos, incultos e impreparados, como acontecia até aqui”. Claro, ou arriscamo-nos a ter por aí muitos clones de Emídio Rangel. E isso Portugal não aguentará. Concordo com a mudança, mas dispenso a ignorante opinião de alguns. Gente que fala do que não sabe, gente que suga as finanças das empresas públicas (refiro-me à RTP) com indemnizações milionárias, gente ideologicamente responsável por pôr no ar programas educativos que deram pelo nome de Big Show Sic e quejandos. Verdadeiros exemplos do que a televisão não deve fazer enquanto instrumento formativo, a troco das audiências, da dita eficiência.
E, para variar, como antigamente, lá vem o papão dos comunistas. Quatro vezes referido, em tão curta crónica, é caso certo para psicanálise. Pois os “soldados do Partido Comunista”, ainda que “(…) seja óbvio que estes manifestantes são só uma parte dos professores (…!??)” estiveram em Lisboa no passado 8 de Março e obrigaram-no agora a engolir 100 000 vezes tão grosseiro disparate.
Mas não tenhamos ilusões, colegas professores. Ainda assim há, e vão continuar a haver, surgindo como cogumelos à medida que a nossa luta se extrema, pseudo professores a “mandar” palpites sobre Educação. Tal e qual o futebol…!
P.S.- Um último reparo, só de pormenor: se quiser ser rigoroso, o que é obrigação de jornalista e pode comprometer todo um esforço argumentativo, senhor Emídio Rangel, tenha em atenção os nomes…. É que o homem chama-se Mário, mas tem como apelido Nogueira!

Manuel F. Castelo Ramos
Professor Titular, 27 anos de serviço… caso interesse

Fonte: recebido por email

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